terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Parte 18

A loucura pode ser sã

No dia seguinte de manhã, estávamos nós numa tal de esquina Democrática, montando nosso cenário para fazer o espetáculo.
Sancho perguntou:
- E aí, a gaúcha vem te ver?
Respondi que não, e Tito imediatamente implicou:
- Por que não? Teatro de rua não tem censura, até as crianças podem assistir.
Uma Carol muito sem graça pediu:
- Desculpa. Bebi demais ontem.
Respondi um simples, porém verdadeiro:
- Tudo bem.
Ela perguntou:
- Vai encontrar com ela de novo?
Fiz que sim com a cabeça. O coração acelerando e um sorriso surgindo em meu rosto só de pensar no novo encontro.
- Tá apaixonada, né?
Foi só então que eu parei.
Apaixonada, eu? Claro que não!
Nem conhecia a garota direito... Não tínhamos passado de uns beijos e... Eu não via a hora de vê-la de novo...
Não! Era só uma atração física super valorizada pelo fato de por duas noites ela ter dito não. Nada além disso. Apaixonada? Claro que não!
Carol sorriu tristemente ao encerrar o assunto com um:
- Nem precisa responder. Sua cara diz tudo.
Antes de me deixar ali, paralisada, assustada, morrendo de medo. Em pânico mesmo.


***
As piadinhas de Sancho e Tito prosseguiram o dia inteiro. Como vingança, não avisei que o chuveiro estava dando choque.
Estava na sala, fumando um baseado com Tito, quando ouvimos o primeiro grito:
- Ai!
Quase morremos de rir.
Sancho nos xingou lá de dentro. Mais uns minutos e Tito entrou no banheiro. Efeito da maconha ou por ser absolutamente avoado mesmo, acabou esquecendo. O resultado?
- Ai!
Outra vez.
Os três arrumados, Tito anunciou, empolgadíssimo:
- Vou pra tal espaçonave com a Carol. Dizem que lá tem Absinto!
Normal. Ele sempre era muito mais a fim de ficar doidão do que de pegação.
Sancho e eu fomos para o local onde tínhamos marcado. Eu com Olívia, e ele com o cara com quem tinha ficado na véspera. Um bar dentro de um Shopping.
Encontramos fácil. Quando chegamos, Olívia já tinha chegado. O cara com quem Sancho tinha combinado deu um bolo nele, que resolveu partir para outro lugar.
Olívia ficou um pouco preocupada:
- Mas tu não vai te perder?
Sancho deu um sorrisinho safado:
- É me perdendo que eu me acho...
Despediu-se, e saiu à caça.
Olívia ainda insistiu:
- Mas ele nem sabe andar na cidade...
Eu conhecia meu amigo o suficiente para tranquilizá-la:
- O Sancho não se aperta. Se dá bem em qualquer lugar.
Pura verdade.
O fato de estar a sós com ela me causou um certo nervosismo. Como se... Eu não tivesse nem um décimo da minha prática. Nem sei como consegui propor irmos para o Apart Hotel onde eu estava.


***
Entramos no apartamento, e no primeiro momento houve um certo mal estar. Na verdade constrangimento. Dela, e por incrível que pareça, também de minha parte.
Depois de algumas frases banais e risinhos sem graça, finalmente nossas bocas se encontraram.
Devagar e com suavidade à princípio, e depois aprofundando cada vez mais o contato. Sem interromper o beijo, fui guiando Olívia para o quarto. Deitamo-nos na cama de solteiro que eu ocupava, as mãos percorrendo caminhos que deixavam claros que já estávamos muito mais à vontade.
Entre suspiros, gemidos e palavras sussurradas, íamos nos descobrindo. Eu absolutamente deliciada. E surpresa com a minha falta de pressa habitual. Desconhecido desejo de saborear com calma cada pequeno detalhe.
Foi quando ouvi... Batidas na porta. Não parei de imediato. Tentei ignorar o transtorno indesejado, mas... O barulho se repetiu, cada vez mais alto.
Depois de me desculpar, levantei, ajeitando as roupas. Olívia continuou deitada, me olhando de um jeito que... Se a pessoa absolutamente inconveniente não insistisse de novo, provavelmente eu voltaria para a cama.
Quase corri até a sala. Abri a porta e... Nada.
O corredor estava vazio. Mas consegui ouvir algumas risadinhas abafadas.
Fechei a porta, irritada. Assim que cheguei na porta do quarto, as batidas voltaram.
- Bah!
Foi o que a gaúcha disse, e apesar de ainda não compreender totalmente o real significado da palavra enigmática, fui obrigada a concordar.
- Só um minuto!
Falei, antes de voltar para a sala. Abri a porta e novamente nada. Fechei a porta e fiquei esperando. Ouvi as risadinhas se aproximando, acompanhadas por um ruído seco, como se alguém corresse de salto alto.
Assim que o som chegou a frente da porta a abri. Dando de cara com Carol:
- Posso entrar?
Tentei ser paciente, porque ela estava obviamente bêbada:
- Não é uma boa hora.
Carol riu alto, de um jeito debochado:
- Tá acompanhada, é?
Fez que ia entrar. Segurei-a pelo braço, perguntei:
- Cadê o Tito?
E ela:
- No meu quarto com o pessoal. Tamos fazendo uma festinha lá. Não quer participar?
Desci com ela pelas escadas. O quarto era exatamente debaixo do que eu estava. A porta estava aberta e uma barulheira absurda saía de lá. Gritos, risadas e um violão que tocava. Todos completamente altos.
Entrei arrastando Carol e fazendo o papel de chata:
- Gente, menos! Daqui a pouco vão começar a reclamar.
Tito veio saltitando para o meu lado:
- Amiga! Você não sabe: fui o príncipe da espaçonave.
Impossível deixar de rir. E de perguntar:
- Como assim, viado?
E ele, sem tentar esconder o quanto estava se achando o máximo:
- Todos me queriam!
Ri mais ainda.
Tito se empolgou. Ia contar com detalhes, mas não permiti:
- Tô com a Olívia lá no quarto. Toma conta da Carol pra mim? Ela fica batendo na porta...
Tito deu uma risada, mas assegurou:
- Pode deixar. Ela não vai mais atrapalhar.


***
Voltei para o quarto preocupada com o que Olívia poderia estar pensando. Coisa estranha, no mínimo. Muito diferente, o oposto da minha reação normal:
- Desculpe... Eu... Eles tão muito bêbados, e...
Ela riu. Da minha tensão, provavelmente. E implicou:
- Eu não te disse que a guria tava afim de ti?
Dei de ombros, sem saber o que dizer. Felizmente, sabia - muito o bem - o que devia, queria, precisava fazer.
Sentei na cama ao lado dela, voltei a beijá-la. O contato dos lábios se aprofundando rapidamente. Urgente, necessário, ardente.
As línguas se enroscando com cobiça. Pulsando juntas, tão em uníssono que não soube dizer se ela me puxou ou se deitar por cima dela foi minha iniciativa.
Nossas mãos acompanharam a impaciência das bocas. As roupas rapidamente deixando de existir entre nós. Em meio aos suspiros e gemidos um vestígio de medo ainda brincou comigo.
Depois daquilo não haveria volta. Impossível ser como antes. Ou era uma loucura só minha?
Estremeci.
E ela sussurrou:
- Ai, o que é isso?
Mostrando que não estava naquilo sozinha. Como eu, Olívia também estava... Sentindo.
Mergulhei mais ainda. Sem medo de...
Um ruído estranho nos interrompeu.
Toc. Toc. Toc.
Batidas?
Dessa vez... No chão.
- Merda!
Não tive como deixar de dizer, sem me afastar um milímetro.
Olívia propôs:
- Deixa pra lá...
Antes de me puxar pelo pescoço e tomar meus lábios de volta. E de novo, o olho do furacão. Como se nada mais existisse. Nada além de nós duas ali, novamente entregues ao mais fantástico e magnífico...
Toc. Toc.
- Putz, putz, fucking putz!
Foi só o que eu disse.
Fazendo com que ríssemos juntas.
Com certeza Carol devia – sabe-se lá com o que ou como – estar batendo no teto numa última e derradeira tentativa de impedir o inevitável.
Toc. Toc. Toc.
Olívia riu mais um pouco. Antes de dizer:
- Não importa.
Minha raiva rapidamente se esvaiu. Ao ver a forma como os olhos verdes me fitavam. Estranha sensação de...
- O que era aquilo?
Eu já não sabia. Algo muito diferente do que eu fazia com as outras. E tudo nela me dizia que para ela, era a mesma coisa.
- Vem. Esquece o resto...
Palavras sábias e certeiras. Facílimas de seguir. Para quem estava sentindo um gosto delicioso de feitiço na boca. Desejando... Perder-me sem nunca mais encontrar a saída. Mergulhar sem olhar se a piscina estava ou não vazia. Pular de costas, de braços abertos no precipício.
Nossos lábios se roçaram de leve, provocando um efeito elétrico, uma vibração enorme, ao mesmo tempo carnal e etérea...
Toc. Toc.
Sorri para ela? Ou só correspondi?
Pouco importava a resposta. Deixei de acreditar em qualquer outra coisa além do que meu corpo e minha alma pediam.
Colei os lábios, a pele, os sentidos nos dela. Entregando-me inteira, como há muito eu não fazia. Com uma felicidade que eu até já tinha esquecido que existia.

Um comentário:

  1. ge disse...

    Ai o dificil agora é esperar ate sexta fera... rsrsrs
    Capitulo maravilhoso como sempre Di !!!!
    ◄ Responder Comentário 11 de janeiro de 2011 12:18
    DIEDRA ROIZ disse...

    @ge
    Brigadú, linda!
    E desculpe o atraso...
    Era pra ter postado ontem, mas putz! Não tive tempo...
    BJ super imenso!
    ◄ Responder Comentário 11 de janeiro de 2011 12:37
    Lays Camargo disse...

    Aiiiiii, Di.
    Tortura esperar até sexta!
    Ri muito aqui... "toc toc"...hsuahsua
    Beeeijão!
    ◄ Responder Comentário 11 de janeiro de 2011 14:47
    Anônimo disse...

    Estou viciada. Vou tentar acelerar o tempo para ver se a sexta chega logo, rs. Muito bom o capítulo.

    Lalá
    ◄ Responder Comentário 11 de janeiro de 2011 15:04
    Rê disse...

    k k k k...

    Quem manda ser gostosa... k k k

    Até a Carol quer um tantinho...

    Muito bom...


    ◄ Responder Comentário 11 de janeiro de 2011 16:56
    Chester Perdigão disse...

    Essa Carol...precisa apanha!!XD
    Nossa raxei muito!! Principalmente na hora que o chão fez barulho!!
    Capítulo maravilhoso! *-*

    Bjs Di
    ◄ Responder Comentário 11 de janeiro de 2011 17:27
    Aninha aruen disse...

    to adorando!!!! essa loca que tá batendo na porta precisa levar um sacode,se fosse eu arrastava ela pro banheiro e tacava no chuveiro...afff que chata...mas tá muito engraçado!! bjs enormes Di!!
    ◄ Responder Comentário 11 de janeiro de 2011 20:26
    THATHA disse...

    A CAROL E MUITO CHATA MEUS DEUS RS TORCENDO PRA ELA FICA COM A OLIVIA E CLARO ELAS ESTAO APAIXONADAS TA NA CARA RS
    ◄ Responder Comentário 12 de janeiro de 2011 06:02
    Mery disse...

    Carol empata foda.

    Um dia vc ainda vai ter uma na sua vida.

    Bjo.
    ◄ Responder Comentário 12 de janeiro de 2011 11:17
    Natália disse...

    Muito engraçado esse capítulo... Essa "bateção" rrsss...
    Realmente difícil esperar até sexta!
    Você é ótema!
    Bjos
    ◄ Responder Comentário 12 de janeiro de 2011 16:49

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