terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Parte 17

Coincidências podem ser surpreendentes

Caminhei até Olívia sem nem perceber. O  brilho do olhar verde aumentou. Parei na frente dela, e o diálogo foi simples:

- Oi.

- Oi.

- Coincidência...

E ela, muito mais do que direta e franca:

- Eu sabia que ia te encontrar aqui.

Agradavelmente surpresa, perguntei:

- Como?

A gaúcha prontamente esclareceu:

- Tu disse pro Renato que vinha pra cá hoje.

Disse?

Vasculhei minha mente em busca da resposta. Sim, enquanto fumávamos lá fora e eu tentava puxar assunto para chegar no meu real objetivo: a gaúcha.

Minha cabeça rodopiou, feliz: ela perguntou para o amigo, veio me encontrar, só pode estar muito a fim, igual a mim.

Nossos lábios se encontraram, pondo um fim aos pensamentos.

Deixei-me levar sem dúvidas, receios nem medos. Querendo apenas aproveitar o momento.

Uma mão puxando meu braço não permitiu que eu concretizasse meu desejo:

- Não acredito que depois de tudo você vai ficar de novo com essa daí.

Carol só podia estar brincando.

Tito surgiu do lado dela. Pedi:

- Por favor, me ajuda!

Mas antes que Tito pudesse fazer qualquer coisa, Carol insistiu:

- Ontem ela te tratou super mal! Você só gosta de quem te pisa?

Olívia já me olhava esquisito. Justifiquei:

- Minha amiga bebeu demais.

E a gaúcha, seríssima:

- Sei.

Pedi:

- Só um minuto?

Depois que Olívia assentiu, virei-me para Carol.

Supliquei, baixinho:

- Por favor, não estraga tudo...

Carol piscou, os olhos muito tristes. Falou:

- Você disse que ia me ajudar. Prometeu.

Tito interferiu:

- Carol, eu te ajudo.

E eu:

- O Tito vai poder te ajudar muito mais do que eu.

Com um bombástico:

- Se você realmente acha isso...

Carol se virou e sumiu. Tito me tranqüilizou:

- Pode deixar que eu cuido dela.

E foi atrás de Carol.



***

Aquela altura, apesar do pouco tempo, eu já sabia que sinceridade era o forte de Olívia:

- Se tu quiser ficar com ela, carioca, tudo bem.

Minha resposta também foi completamente honesta:

- Pensei em você o dia todo.

Ela sorriu. Fazendo meu coração disparar loucamente. O que era aquilo?

- Eu quase não vim. Na verdade, se eu pensasse um pouco mais, não viria mesmo.

Impossível controlar o sorriso:

- Ainda bem que veio.

Inevitável o beijo. Muito mais profundo e delicioso do que o primeiro. Com gosto de fato consumado. De não adianta, não tem jeito.

Minhas mãos desceram, entraram nos rasgos estratégicos que descobri na calça jeans dela, o contato com a pele causando uma impressão de encontrar aquilo que eu sequer sabia que procurava.

Dessa vez, foi uma cutucada no meu ombro que nos interrompeu.

Nossas bocas se separaram com dificuldade, os corpos continuaram grudadinhos. Olhamos juntas, totalmente impacientes, para Carol, que praticamente gritou:

- A única que me interessou é hetero!

Foi Olívia quem respondeu:

- Acredite, se ela fosse hetero não estaria aqui.

Carol insistiu:

- Mas o Tito foi falar com a menina pra mim, e ela...

Imediatamente a cortei:

- Você mandou o Tito falar com ela?

- Foi.

Confirmei o que já tinha certeza:

- Ele disse pra ela que ia ser sua primeira experiência com mulher?

- Lógico.

- Putaquepariucaralhofoda-se!

O que mais eu poderia dizer? Que nesse caso até eu diria que era hetero também? Claro que não. Incentivei:

- Vai lá e fala com ela você. Ou melhor: nem fala. Mostra a que veio.

Carol não pareceu muito convencida:

- Você acha?

Fui firme:

- Tenho certeza!

Ela ainda expressou a insegurança total que tinha:

- Ai, como? O que é que eu faço?

E eu:

- Exatamente o que faria se fosse um cara. Anda! Tá esperando o que?

Carol suspirou, respirou fundo,  e... Obedeceu.



***
- Te vi hoje na TV.

Olhei para Olívia sem entender nada. Ela prosseguiu:

- Foi a coisa mais estranha, sabe? Eu nunca assisto o Jornal do Almoço, mas hoje tava com a minha mãe na sala, daí assim que ela ligou a tv tu apareceu. Numa cena do teu espetáculo. Tri estranho, né?

Muito. Mais ainda por eu estar pensando nela naquele mesmo instante em que ela tinha me visto. Se bem que... Bom, tinha pensado nela o dia inteirinho.

Fiz a pergunta que não queria calar:

- Foi só por isso que você veio? Porque me viu na tv?

Olívia sorriu, voltando a me ofuscar. Os olhos verdejaram intensamente, daquele jeito penetrante que era marca registrada dela:

- Não. Na verdade não consegui parar de pensar em ti. Te ver foi meio que um sinal.

Insisti:

- Sinal de que?

Ela respondeu sem pestanejar:

- De que eu tinha que te encontrar novamente.

Um novo beijo. Ainda mais intenso. Repleto de consentimento. Vontades que pulsavam juntas, mútuas, em sintonia.

Quando nos separamos, murmurei:

- Vai passar a noite comigo dessa vez?

Não por uma questão de conquista, pegação, ou número. Era... Uma necessidade. Não só minha. Ficou claro na forma que ela respondeu:

- Hoje não posso. Não avisei meus pais que ia dormir fora, e agora já tá tarde pra ligar pra eles.

Lembrei da idade dela. Obviamente, Olivia ainda tinha que dar satisfação em casa, era... Pouco mais do que uma menina.

Mas aquilo não mudou o que eu sentia em nada. Estava disposta a esperar, mesmo sem quase ter tempo. Apesar de só ter mais dois dias antes de voltar para o Rio de Janeiro.

Olívia prometeu:

- Amanhã sem falta.

Concordei, ignorando completamente o quanto estava insatisfeita. Querendo... Aproveitar ao máximo, com a maior intensidade possível, cada breve momento.

Confesso que quando voltamos a nos beijar, e a situação se tornou cada vez mais caliente, cheguei a pensar em ir com ela para o banheiro. Mas não era o que eu desejava de verdade. Não mesmo. De alguma maneira estranha e incompreensível, queria que tudo fosse especial. Tanto quanto ela estava sendo.

Carol ainda voltou a nos atrapalhar mais uma vez. Bêbada, muito bêbada mesmo:

- Porque quem eu quero nunca quer nada comigo?

Não respondi. Tito a levou, dizendo:

- Vem, vamos pegar um táxi.

Olívia aproveitou a deixa:

- Também vou.

- Já?

Perguntei, tão decepcionada, que Olivia riu. Antes de replicar:

- Tô sozinha, e já tá tarde. E tu, como vai voltar?

Boa pergunta. Talvez também pegasse um táxi. Mandei uma mensagem para o celular de Sancho, que na mesma hora apareceu:

- Vamos?

Concordei. Propus para Olívia:

- A gente te deixa em casa.

Ela perguntou:

- Onde vocês tão?

Sancho tentou responder:

- Num Apart Hotel perto do... Da...

Completei, daquele jeito desconfortável de quem não conhece bem o lugar e tem medo de falar besteira:

- Gasômetro? Usina do Gasômetro, é isso?

Olívia riu:

- É.

E depois recusou:

- Moro para outro lado. Nada a ver com o caminho de vocês.

Entramos na fila para pagar. Entre dois dos muitos beijos que trocamos, Olívia perguntou:

- Tu e aquela tua amiga que foi embora... Tem ou já tiveram algo?

Achei graça. Sorri, ao responder:

- Não. Ela é hetero.

A gaúcha deu uma risada. Antes de replicar:

- Bah! Hetero sou eu!

Rimos juntas, antes de Olívia completar:

- Carioca, a guria está no mínimo, muito a fim de ti.

Contestei:

- Tá nada.

Olívia insistiu:

- Está sim.

Questionei:

- Como você sabe?

E ri muito com a resposta:

- Porque se olhar matasse eu estaria morta!



***
De volta ao nosso quarto no Apart Hotel, Sancho e Tito implicaram comigo até eu dizer chega:

- Fica pegando criança é isso que dá! Ficou na mão!

- Vai passar a noite sozinha, baby! É, porque criança dorme cedo...

Os dois riram sem parar, até cansarem, sem no entanto conseguirem me incomodar.

Meu celular tocou. Era Olívia, avisando que havia chegado bem em casa, como tínhamos combinado.

Estávamos maravilhosamente na mesma freqüência. Tanto que não sei quem disse o quê:

- Oi.

- Oi.

- Queria estar aí contigo...

- Eu também.

- Amanhã.

- Com certeza.

Difícil, quase impossível desligar. Poderia ficar ali escutando a voz dela para sempre. Mas...  A realidade era muito diferente.

Despedimo-nos com aquela dorzinha que todas as pessoas que amam sentem, conhecem e entendem.

Deitei na cama com o coração leve e rápido. Uma felicidade sem razão aparente. Expectativa, ansiedade, vontade fremente.

Por saber que no dia seguinte, encontraria Olívia outra vez.

Um comentário:

  1. Tibet disse...

    É muito bom sentir este frisson, ficar rindo de bobeira, perder a fome, o prumo, esquecer tudo que chateia e achar tudo MARAVILHOSO... o que mais me impressiona é que a cor em tudo muda, tudo fica muito mais colorido e intenso...
    ◄ Responder Comentário 8 de janeiro de 2011 15:43
    Aninha aruen disse...

    que fofo essas duas..to curiosa pra saber no que vai dar...rsrs bjs enormes Di!
    ◄ Responder Comentário 8 de janeiro de 2011 18:45
    Mara disse...

    como todos os contos... estou apaixonada
    ◄ Responder Comentário 8 de janeiro de 2011 21:52
    Chester Perdigão disse...

    Mais que Carol chataaaaaaaa!
    meudeus some mulher!não interrompe! hahahahah

    nossa muito fofo as duas! *-*
    agora to louca para sabe no que vai dar!^^

    obs: ve se some com essa Carol chata!XD

    Bjs Di
    ◄ Responder Comentário 9 de janeiro de 2011 00:01
    JV disse...

    humm mto bomm!!

    adorando as duas td bem q tinha esperança na veronica sei lah gostava dela... mas gaúchas chega a ser golpe baixo neh... a começar pelo sotaque maravilhoso... ;D rsrs

    como td q vc escreve tah perfeito... continuaaaaa
    ◄ Responder Comentário 9 de janeiro de 2011 10:31
    Rê disse...

    Ufa... finalmente ela se entenderam... ou, ao menos começaram a se entender...

    To vendo q era o teu destino q já estava traçado.


    ◄ Responder Comentário 10 de janeiro de 2011 18:59
    Mery disse...

    Fecho com a Rê: tinha que ser uma gaúcha mesmo.

    Beijo.
    ◄ Responder Comentário 11 de janeiro de 2011 11:27

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