terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Parte 13

Mais de uma pode ser menos do que nada

No dia seguinte, acordei na cama de Andressa. Abraçada com ela, como se fôssemos namoradas. E aquilo me deu medo.
Não que ela não fosse tudo que alguém pode querer e algo mais, mas... Eu não estava apaixonada. Incrível como naquele momento, aquilo me incomodava.
Fiquei um longo tempo pensando no que fazer, no que falar. Os olhos fixos no teto, o coração batendo estranhamente devagar.
Andressa acordou. Deu-me um beijo de:
- Bom dia!
Antes de me levar até a cozinha, onde preparou um café da manhã espetacular.
Eu absolutamente calada. A ponto dela perguntar:
- Que foi? Alguma coisa errada?
Ficou me fitando, preocupada. E foi a doçura, a pessoalidade daquele olhar que me deu forças para falar:
- Precisamos conversar.
Pode parecer bobagem. Ainda não tínhamos nada. Apenas duas noites, mas... Tudo na forma dela agir deixava claro que Andressa não queria mais do que só sexo.
E eu não podia enganá-la. Deixar ela pensar que teria algo que eu não estava disposta a dar.
Andressa me incentivou:
- Fala.
Comecei a me sentir uma idiota total. Ainda assim, preferi ser sincera, independente do que ela pudesse pensar:
- Acabei de sair de um relacionamento muito complicado, e... Não quero nada sério, quer dizer... Não estou preparada para voltar a namorar.
Andressa levantou uma das sobrancelhas. Um sorriso divertido pairou nos lábios dela, ao falar:
- Você não acha que tá sendo um pouco... Precipitada?
Aquilo era muito diferente de tudo a que eu estava acostumada. Inusitado demais. E mesmo assim, até que relativamente fácil, porque... Andressa fez questão de me deixar a vontade:
- Vamos deixar rolar.
Fiquei um pouco desconfiada. Sem saber se acreditava. Se no fundo, ela não estaria pensando:
- Vou concordar, e depois, quando ela já estiver no laço, é só puxar!
Fiz questão de frisar:
- Não vai rolar nada além disso.
E ela, com uma superioridade inacreditável:
- Combinado.

***
Quando saí da casa de Andressa, no meio da tarde, meu celular começou a tocar. Atendi sem entender nada:
- Flavinha?
E a doidinha:
- Tô com saudade, vem pra cá...
Como se nada tivesse acontecido.
Hesitei. Mas acabei cedendo porque... Impossível resistir, Flavinha era linda, deliciosa e sedutora demais:
- Em meia hora tô aí.

***
Fiquei deitada na cama de Flavinha, pensando em como o inferno parece maravilhoso e irresistível antes de nos queimar.
Ela saiu do banho enrolada numa toalha. Começou a se maquiar, arrumou os cabelos, se vestiu. Quando terminou estava... De parar o trânsito. Um verdadeiro escândalo!
Ordenou, impaciente:
- Se veste! Tô atrasada!
Caí na besteira de perguntar, enquanto obedecia:
- Aonde você vai?
A resposta era previsível:
- Encontrar um cara que conheci hoje na praia.
E me fez decidir que não sairia com ela nunca mais.

***
De noite, estava sentada na Farme segurando vela para Sancho. Bebendo meu chope calada, enquanto ele se pegava com um moreno espetacular.
Quando ouvi meu nome ser chamado. Olhei para trás e vi:
- Kátia!
Uma conhecida – não chegava a ser amiga – dos tempos de faculdade.
- Quanto tempo, hein?
Apresentei Kátia aos meninos, e ela sentou do meu lado.
Sancho declarou:
- Bom, agora que você tá acompanhada nós dois vamos indo.
E saíram muito mais do que rápido, evidentemente com pressa de irem para um lugar mais reservado, onde pudessem... Aprofundar o contato.
Não via Kátia há muito tempo realmente. Tanto que ela perguntou:
- E a Cláudia?
A resposta rendeu uns cinco chopes mais ou menos. Depois mais cinco, para Kátia também me contar as mágoas dela com relação às ex namoradas.
Perdi a conta do quanto bebemos. Lembro que só paramos porque o garçom nos avisou que estavam fechando o bar.
Saímos trôpegas, rindo alto. Kátia perguntou:
- Moro aqui perto. Minha geladeira tá cheia de cerveja. Quer dormir lá em casa?
Não vi porque não aceitar.

***
O apartamento dela era realmente perto. Umas duas ou três quadras de lá.
Ficamos conversando na sala. Bebendo e rindo um pouco mais, sentadas lado a lado no sofá.
Sem nenhuma intenção além de falar sobre nossas ex e desabafar. Até um determinado momento, onde nossos olhos se encontraram.
Não precisou dizer nada. Foi implícito e tácito. As bocas se buscaram. Tiramos nossas roupas, as peles se fundindo de forma quase desesperada. Ali mesmo no sofá.
Impulsivo e instintivo. Sem pensar no resultado.

***
A primeira coisa que senti ao abrir os olhos no dia seguinte foi minha cabeça girar.
Depois, aos poucos, a percepção sinistra e a pergunta que não queria calar:
- Onde diabos eu estava?
Antes que eu pudesse lembrar sozinha e naturalmente, Kátia entrou nua no quarto:
- Bom dia!
- Ai! - sem querer, gemi alto, levando uma das mãos à cabeça.
Ela riu, e implicou:
- Que reação comovente, gata!
Eu não sabia o que falar além de:
- Acho que bebi demais!
Kátia riu novamente, e com o jeito brincalhão que lhe era peculiar, confessou:
- Idem! Aliás, confesso que não lembro quase nada.
Forcei minha mente. Apenas imagens embaralhadas e confusas, uma sensação de satisfação puramente física e... O corpo dolorido em alguns locais.
Fui obrigada a sacudir a cabeça, como quem diz:
- É, também não lembro detalhes.
Kátia sentou ao meu lado. A mão pousando em minha coxa e lentamente subindo. Nada sutil, nem em gestos, muito menos em palavras:
- Podemos repetir, que tal?
Olhei para ela. Retribui o sorriso malicioso e provocante, e respondi quase como se pensasse alto:
- Por que não? Afinal, quem tá na chuva é pra se molhar...

***
O mês passou muito rápido. Como se a maré me levasse. Pegando jacaré em minha própria vida. Era assim que eu estava.
Flavinha me ligou algumas vezes. Demorou um tempo para se convencer de que não adiantava, eu não queria mais.
Saía com Andressa uma vez por semana. Normalmente na 6ª feira. Deixava claro para ela:
- Fico com outras pessoas.
Ela nunca me cobrou nada. Parecia não se importar.
A atitude dela, aliada ao fato de falarmos a mesma língua – não só na cama, conversávamos horas a fio sobre cinema e teatro – me fizeram apresentá-la a alguns amigos.
Sancho advertiu:
- Tá ficando sério demais.
Mas eu não achava.
Sentia-me livre e desimpedida, com plena e total liberdade.
Aos domingos encontrava Kátia. Na minha casa ou na dela, apenas para rir, beber e... Como tínhamos estipulado naquele primeiro dia: aproveitar.
Sábado era o dia que eu ia à caça. Deixava livre para... Sancho me acenava com a verdade:
- Você tá procurando alguém, linda. Quer namorar, se apaixonar.
Mas eu negava, tentando inutilmente me enganar. Achando que a situação era completamente sustentável e que não tinha como acabar mal.

Um comentário:

  1. Aninha aruen disse...

    nossa,3 em um dia só...kkkkk tem momentos na vida que é só pra curtir mesmo,mas acho q a curtição dela acaba logo,já já se apaixona...rsrsrs bjs enormes Di!!!
    ◄ Responder Comentário 20 de dezembro de 2010 20:14

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