terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Parte 09

Voltar à ativa pode parecer extraterreno


Incrivelmente, minha resposta foi não.
Flavinha fez uma carinha de decepção enorme, mas... Nem assim voltei atrás.
Foi quando nos chamaram para filmar.
A câmera ia atrás do ator principal num carrinho em cima de trilhos que percorriam a boate. Um dos assistentes de direção – se não me engano o nome dele era Pablo - posicionou os atores. Flavinha e eu fomos posicionadas num canto com a instrução de criar uma cena nossa, isolada, romântica e sem falas.
Pablo ainda explicou:
- A primeira vai ser só ensaio. A segunda é a vera.
Antes de se afastar.
Flavinha propôs:
- Que tal se a gente se beijasse?
De um jeito que... Tudo bem, não era nada demais. No filme, éramos namoradas. O que poderia ser mais romântico e sem falas do que um beijo?
Porém, sabia perfeitamente que apesar do tom profissional de Flavinha, a proposta estava recheada de segundas intenções.
Fiquei pesando os prós e contras, pensando, hesitando. Por um tempo tão grande que nem foi preciso tomar uma decisão.
O ator começou a dar o texto, caminhando em nossa direção, e Flavinha não teve dúvidas: me puxou pelo pescoço e me beijou.
O contato da boca, dos lábios, da língua dela teve um efeito de pólvora na bala. Não teve nada de técnico naquele beijo. Meu corpo disparou, saiu da casca em que antes parecia estar envolto.
Correspondi com gula, vontade, loucura. Ela suspirava, satisfeita, colando o corpo no meu.
Não escutei mais nada. Perdi completamente nossa deixa de fim. Continuamos enlaçadas, grudadas, esquecidas de todo o resto.
Até Pablo nos interromper:
- Ok, já deu. Podem parar agora.
Completou dizendo que o diretor tinha gostado, e muito. E que podíamos fazer exatamente do mesmo jeito, sem mudar nada.
Ah, que sacrifício imenso!
Adorei repetir a cena, cada uma das cinco vezes.
No fim do último beijo, Flavinha sussurrou, com um sorriso muito mais do que tentador:
- Vai recusar dormir comigo de novo?
Sorri de volta, o coração acelerando de antecipação. Aceitando, desejando, querendo a oportunidade. Vendo nela uma forma inexplicável de redenção.
O resto do dia passou devagar, com uma lentidão torturante. Nos cantos escuros e absolutamente propícios, enquanto não estávamos filmando, Flavinha me apresentou a níveis desconhecidos de provocação. Levando-me ao limite e depois cortando com seus intransponíveis:
- Aqui não.
Quando finalmente chegamos no apartamento dela, por volta das onze da noite, nem esperei que Flavinha trancasse a porta. Sedenta em concretizar a vontade de um dia inteiro. Aos tropeços, nos despindo pelo caminho, fomos para o quarto e para a cama sem interromper os beijos.
A garota era... Como descrever? Tudo o que aparentava e prometia e algo mais.
Tinha uma entrega, um quase abandono no corpo e no olhar. Sem frescuras, limites ou pudores. Incontrolável, insaciável.
Gemia alto, escandalosamente, gritava palavrões e frases obscenas, batendo com as costas da mão na parede, o anel enorme que usava fazendo barulho a ponto dos vizinhos reclamarem.
Só me deixou descansar com o dia já amanhecendo. Adormeceu abraçada em mim com força, a tal ponto que eu só conseguia respirar com esforço.
Afastei meu corpo do dela cautelosamente. Passei a mão nos cabelos, suspirei fundo, olhei para o teto. Estava fisicamente satisfeita, mas um que de desespero insistia em me percorrer por dentro.
A imagem de Ve ainda persistia, me doía, corroia.
- Até, quando?
Foi o que me perguntei mentalmente.
Flavinha se mexeu no sono. Tateou, a minha procura. As mãos tocando acidentalmente em meu seio. Meu corpo imediatamente se reacendeu. E decidiu por mim.
Deitei em cima dela, esfregando nossas peles. Beijando-a no rosto, no pescoço, nos lábios. Deixando claro o que eu queria dela.
Flavinha gemeu. Depois sorriu. Abriu os olhos muito verdes, me fitando quando murmurou:
- Você é incansável assim sempre?
Sorri de volta, totalmente consciente de que fosse como fosse, precisava tocar minha vida. Mais do que isso. Eu estava de volta:
- Só com você...
O sorriso de Flavinha aumentou. A ponto do olhar verde resplandecer.
E de muito bom grado me deixei puxar para mais uma batalha que eu não fazia a menor questão de vencer.

***
- Amiga, essa sua nova namoradinha é doida!
Tito me puxou num canto para dizer, depois de, pela milésima vez, Flavinha ter declarado em alto e bom tom, para quem quiser ouvir, que eu “sabia chupar a cebola dela muito bem”.
É, isso mesmo. Ela chamava o próprio sexo de cebola, por mais bizarro que isso pudesse parecer. Nada demais perto de coisas muito piores que ela dizia, me deixando... tensa, constrangida e querendo um buraco para me enfiar dentro são pouco para descrever.
Minha vida sexual tinha se tornado pública. Não apenas na filmagem. Em qualquer lugar e com quem estivéssemos. Ela fazia questão de explanar detalhadamente.
Tito continuou:
- Você precisa se livrar dela! Escuta o que eu tô te dizendo!
Tudo bem, racionalmente eu concordava em número, grau e gênero. Porém... A carne é fraca, e sabe como ignorar todo o resto. Flavinha era... No mínimo deliciosa. E eu queria, desejava, precisava continuar trepando com ela.
Tito não se conformava:
- Você não tá apaixonada. É só uma atração passageira. Igual a ela tem às pencas. Termina antes que o pior aconteça.
- Pior?
O que diabos a bicha estava querendo dizer?
- Sei lá. Vocês sapas são muito complicadas, eu não entendo.
Não tive como deixar de rir da cara dele. Nem de contestar:
- Ah, é? E o que é simples? Viados como você? Em que planeta?
Tito replicou:
- Entre homens é beijinho, beijinho e pau pau. E depois, tchau mesmo! Já vocês...
Respirei fundo. E falei:
- Fique sabendo que sou perfeitamente de fazer sexo casual. Exatamente como você. Só não é o que eu quero no momento.
Ele debochou:
- Hahaha! Mesmo? Logo agora, que arranjou uma bi maluca, você resolve ter consciência?
Engoli em seco. Tito tinha tocado na ferida, no machucado, no ponto cego. No maior de todos os meus medos. Depois do incidente fatídico com Verônica, ser trocada por um homem tinha se tornado muito mais do que um trauma. O pior de todos os meus medos.
- Sabe que só tô falando isso porque depois não quero te ver sofrendo.
Fiz que sim com a cabeça. Mas nada falei.
Ele foi implacável:
- Olha lá.
Olhei na direção indicada. E vi Flavinha com um dos assistentes de direção, se derretendo para ele.
Estranhamente, não me incomodou tanto. Ou eu estava tentando me manter racional, e sem sofrimento?
Falei para mim mesma:
- Não temos nenhum acordo de fidelidade, não é um namoro, sequer um relacionamento. Só estamos nos divertindo.
Todas as noites durante seis dias seguidos. Tudo bem, muito tempo e vezes demais para ser só sexo.
Talvez fosse mesmo hora de variarmos. Deixarmos claro de que não era para ter envolvimento.
Flavinha me olhou. Sorriu para mim, de longe mesmo. Jogou os cabelos sensualmente, provocando ainda mais o carinha que já babava por ela. Levantou e se aproximou de mim, um brilho incandescente naquele olhar felino tão peculiar dela.
Parou na minha frente. Com uma simplicidade que deixava claro que para ela aquilo era a coisa mais natural do mundo, perguntou:
- Tudo bem se hoje à noite eu sair com ele?
- Janela! – foi o que pensei.
E realmente, respondi fria e impassivelmente, como se um vidro me separasse dela:
- Sem problemas.
Ela sorriu, e me beijou nos lábios antes de voltar para junto do tal carinha novamente.
Tito olhava para mim, incrédulo. Ou quem sabe esperando a minha reação. Que não foi outra além de:
- Sabe de uma coisa? Tô precisando mesmo beijar uma boca diferente.

Um comentário:

  1. Aninha aruen disse...

    finalmente ela resolveu curtir um pouco...ficar eternamente na depre ñ dá né...rsrsrs bjs enormes Di!!!!
    ◄ Responder Comentário 6 de dezembro de 2010 20:39
    Lays Camargo disse...

    Agora que eu tava achando que ela ia ser "aquela que não trais mais', ela continua sendo a mesma.shaushaush
    Mas não dá pra negar que ela ainda sente algo pela outra guria lá.

    Beeijos
    ◄ Responder Comentário 6 de dezembro de 2010 23:36
    Chester Perdigão disse...

    os cantinhos escuros são sempre perigosos! XD

    até que enfm ela resolveu se entregar! \o/
    AMEI! *-*

    fiquei boba com esse finalzinho ai.*o*
    maaaaaaaas to curiosa!

    bjs
    ◄ Responder Comentário 7 de dezembro de 2010 00:39
    DIEDRA ROIZ disse...

    @Aninha aruen
    É... Ela está de volta!
    kkk
    Coisa boa isso não vai dar, né?
    BJ super imenso!
    ◄ Responder Comentário 9 de dezembro de 2010 20:14
    DIEDRA ROIZ disse...

    @Lays Camargo
    Ah, linda...
    Ninguém muda assim tão fácil, infeliz ou felizmente (eu realmente não sei... kkk)...
    Vamos ver no que dá, né?
    (Tudo bem, eu sei, mas ainda não vou dizer... rsrs
    BJ ultra imenso!
    ◄ Responder Comentário 9 de dezembro de 2010 20:16
    DIEDRA ROIZ disse...

    @Chester Perdigão
    É, esses cantinhos são um perigo mesmo, hein? rsrs
    Se entregar? Será?
    Só vendo...
    Amanhã...
    kkk
    BJ mega imenso!
    ◄ Responder Comentário 9 de dezembro de 2010 20:18

    ResponderExcluir